O ano de 2026 marca o início de um período de transformação fiscal sem precedentes no Brasil. Com a entrada em vigor da fase de testes da Reforma Tributária, as mudanças no Lucro Presumido e a nova tributação de dividendos, as empresas que não agirem estrategicamente correm o risco de pagar mais impostos do que o necessário.
Revisão do regime tributário: o primeiro passo
A mudança mais urgente para a maioria das empresas é a revisão do enquadramento tributário. Com o aumento de 10% nos percentuais de presunção do Lucro Presumido para receitas acima de R$ 5 milhões, muitas empresas encontrarão no Lucro Real uma alternativa mais vantajosa. A simulação comparativa deve considerar:
- Margem líquida efetiva da empresa nos últimos 12 meses
- Possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS/Cofins no Lucro Real
- Custos de adequação contábil e compliance para o Lucro Real
- Projeção de crescimento de receita para os próximos 2 anos
Aproveitamento de créditos tributários
Empresas no regime de Lucro Real com PIS/Cofins não cumulativos têm a oportunidade de maximizar o aproveitamento de créditos antes da extinção desses tributos em 2027. Créditos sobre:
- Insumos utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços
- Energia elétrica e aluguéis de prédios e máquinas
- Depreciação de ativos imobilizados
- Fretes e seguros pagos na aquisição de mercadorias para revenda
Revisão da estrutura societária
Com a nova tributação de dividendos (10% sobre distribuições acima de R$ 50 mil mensais por empresa), muitas estruturas societárias precisam ser revisadas. Alternativas incluem:
- Antecipação de distribuições antes da vigência plena das novas regras
- Revisão de pró-labore e sua relação com os dividendos distribuídos
- Reestruturação de holdings patrimoniais e operacionais
Compliance e tecnologia como investimento
Em 2026, o investimento em compliance tributário deixou de ser custo para ser estratégia. Empresas que implementarem sistemas de ERP atualizados, automação fiscal e processos de conciliação digital estarão melhor posicionadas para aproveitar créditos, evitar autuações e se adaptar ao split payment que entrará em vigor em 2027.
O planejamento tributário eficiente em 2026 não é luxo — é necessidade competitiva. O momento de agir é antes do aperto, e não depois.