A Reforma Tributária já é uma realidade e traz uma decisão urgente para os empresários brasileiros enquadrados no Simples Nacional. Pela primeira vez, os donos de pequenos e médios negócios precisarão escolher ativamente como vão recolher os novos impostos (IBS e CBS): mantê-los unificados dentro da guia do DAS ou pagá-los de forma separada.
Para microempreendedores individuais (MEIs), a regra segue intacta e nenhuma mudança é necessária. No entanto, para as demais empresas, essa escolha afeta diretamente a carga tributária, a formação de preços e a competitividade do negócio no mercado.
O que muda para o Simples Nacional com a Reforma Tributária?
Com a implementação do novo sistema de consumo, dois novos tributos passam a fazer parte da rotina das empresas: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, de caráter estadual/municipal) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, de caráter federal).
A grande novidade é que o Portal do Simples Nacional agora exige que a empresa escolha, até o dia 30 de setembro, qual será o seu modelo de recolhimento:
Opção 1 (Dentro do DAS): O empresário continua pagando tudo em uma guia única, mantendo a simplicidade, mas sem gerar créditos tributários robustos para seus clientes.
Opção 2 (Fora do DAS): O empresário paga o IBS e a CBS separadamente. A vantagem é que isso permite a transferência de créditos tributários integrais ao longo da cadeia produtiva.
Nota de atenção: Quem não realizar a escolha no prazo será automaticamente mantido no modelo unificado dentro do DAS.
Qual é a melhor opção de recolhimento para a minha empresa?
Não existe uma resposta padrão. A decisão estratégica depende inteiramente do seu modelo de negócio, do seu volume de compras e, principalmente, de quem é o seu cliente final.
Para facilitar a visualização de qual caminho tomar, confira a tabela abaixo:
Perfil do Negócio | Público-Alvo | Modelo Recomendado (Tendência) | Motivo Estratégico |
B2C (Varejo e Serviços) | Consumidor Final (Pessoa Física) | Dentro do DAS | Pessoas físicas não utilizam créditos tributários. Separar a guia só traria burocracia sem benefício comercial. |
B2B (Indústria e Atacado) | Outras Empresas (Pessoa Jurídica) | Fora do DAS (Separado) | Empresas clientes exigem créditos tributários para abater seus próprios impostos. Ficar no DAS pode afastar compradores B2B. |
Impacto na Prática: Como isso funciona no dia a dia?
Para entender o peso dessa decisão, vejamos dois exemplos reais:
Exemplo 1 (O Salão de Beleza - B2C): Um salão atende majoritariamente pessoas físicas. O cliente que corta o cabelo não se importa com créditos tributários de IBS/CBS. Nesse caso, manter o imposto dentro do DAS é a melhor escolha, garantindo uma alíquota possivelmente menor e menos burocracia contábil.
Exemplo 2 (A Fábrica de Embalagens - B2B): Uma pequena indústria do Simples vende caixas para grandes e-commerces. Se ela mantiver o IBS/CBS no DAS, o e-commerce que compra suas caixas não poderá aproveitar o crédito integral do imposto. Isso pode fazer com que o e-commerce prefira comprar de um fornecedor do Lucro Real ou Presumido. Ao escolher recolher fora do DAS, a pequena fábrica repassa o crédito e se mantém competitiva.
Como tomar a decisão certa antes do prazo?
A transição trazida pela Reforma Tributária exige que o achismo fique de lado. Antes de acessar o Portal do Simples Nacional, siga este plano de ação:
Mapeie sua cadeia: Calcule qual porcentagem do seu faturamento vem de Pessoas Físicas (PF) e Pessoas Jurídicas (PJ).
Avalie seus insumos: Negócios que compram muita matéria-prima têm mais chances de se beneficiar do sistema de créditos (recolhimento separado).
Simule com seu contador: Exija uma simulação financeira. O contador deve cruzar os dados do seu faturamento atual, despesas e margem de lucro para cravar matematicamente qual regime deixa mais dinheiro no caixa da empresa.
A Reforma Tributária não decreta o fim do Simples Nacional, mas encerra a era em que o regime era "simples" para todos. A partir de agora, a competitividade do seu negócio começa na estratégia contábil. Reúna-se com sua contabilidade hoje mesmo e defina o futuro tributário da sua empresa.



