Split Payment: como o novo mecanismo tributário impacta o fluxo de caixa das empresas
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Split Payment: como o novo mecanismo tributário impacta o fluxo de caixa das empresas

03 de ago. de 20262 min de leitura

Um dos mecanismos mais disruptivos trazidos pela Reforma Tributária é o split payment — ou pagamento fracionado. Previsto na Lei Complementar nº 214/2025, o modelo consiste na retenção e repasse direto do valor dos tributos ao ente federativo competente no exato momento da liquidação financeira da operação, sem que o valor transite pelo caixa da empresa.

Como funciona na prática

Imagine uma venda de R$ 100.000 com IBS de 10% e CBS de 9%. No modelo atual, a empresa recebe os R$ 100.000 integralmente e depois recolhe os impostos. Com o split payment, no momento da liquidação via PIX, cartão ou transferência bancária, os R$ 19.000 de tributos são automaticamente direcionados aos cofres públicos. A empresa recebe diretamente apenas os R$ 81.000 líquidos.

Impacto direto no fluxo de caixa

  • O valor dos tributos não compõe mais o saldo bancário disponível
  • Não é possível postergar o recolhimento para fins de planejamento de tesouraria
  • Projeções de entradas de caixa precisam considerar apenas o valor líquido
  • Empresas que dependiam do ciclo tributário como capital de giro precisam rever sua estratégia financeira urgentemente

Estratégias para mitigar os impactos

  • Revisar políticas de prazo de crédito a clientes e a fornecedores
  • Negociar linhas de crédito de capital de giro específicas para cobrir a diferença de liquidez
  • Implementar conciliação diária entre notas emitidas, valores recebidos e créditos apropriados
  • Treinar as equipes contábil, fiscal e financeira nas novas regras de registro e conciliação

O split payment representa um avanço no combate à sonegação e aproxima o Brasil das melhores práticas internacionais de IVA. Empresas que se prepararem com antecedência e investirem em automação fiscal transformarão o desafio em vantagem competitiva.